Já Passou Um Ano
E parece que já passou um ano.
Foi rápido e a poeira assentou, ao que me parece agora,
rapidamente. Olho para trás com a frieza e a reflexão de mais um ano, da
distância e da calma. Sobretudo da calma. Naquela altura a calma era
inalcançável, impensável até. Mas vivi o nervosismo com a intensidade
necessária para ter a certeza que tudo o que se estava a passar à minha volta
era, de facto, importante.
Hoje, há distância, nada parece tão importante, tudo parece
ter passado e ter sido "esquecido". Mas para mim, não foi, não é!
Acima de tudo, foi enriquecedor! Cresci, senti pessoas a crescerem comigo.
Aprendi a enfrentar o desconhecido (até no sentido literal), aprendi a ver do
que sou capaz, a aceitar críticas e elogios. Cresci e aprendi a crescer.
Também aprendi muito sobre quem me rodeia pois nos momentos
mais importantes há pessoas que nos surpreendem de todas as formas que podemos
ser surpreendidos. As relações são bem mais complexas do que o "gostar um do
outro". Mas nestes momentos há complexidades que se simplificam e detalhes que
se revelam importantes, assim como outros insignificantes.
Neste dia senti-me rodeada de família, de amigos, acima de
tudo rodeada de amor. Senti-me o centro, mas também a periferia. A festa foi
minha e de tantos outros. A festa foi da Luísa, acima de tudo!
Hoje continuo a ser a autora da Luísa e, no meu grupo de
amigos, "a escritora". Continuo a gostar de escrever (aqui e em
tantos outros sítios), continuam-me a perguntar pelo próximo livro e eu
continuo a sonhar com ele e com um dia parecido àquele em que, há um ano, fui
tão feliz!
A verdade é que aquele dia não volta, mas ainda há
noites em que fecho os olhos e é naquele dia que penso. Ainda me correm as
lágrimas ao reviver todos os sorrisos e amarguras daqueles dias, ao relembrar
tudo o que aconteceu para que aquele dia fosse possível, ao relembrar o quanto
eu e a minha mãe (acima de todos, a minha mãe!) lutámos para vivermos aquele
dia tão felizes como vivemos! Ao recordar os primeiros abraços das pessoas a
quem primeiramente disse "vou lançar a Luísa"; as lágrimas de quem se
emocionou ao pedir-me um autógrafo; os sorrisos que são fotograficamente
impercetíveis; as primeiras mensagens a perguntar como tinha corrido; os
aplausos; os infinitos abraços; as perguntas; as desilusões; os que hoje recordam o primeiro aniversário; os convidados que
nunca apareceram e os que chegaram para se agarrar ao meu pescoço com o orgulho
estampado no rosto. O orgulho! Acima de tudo gosto de recordar o orgulho. O
orgulho dos meus pais, dos meus avós, dos meus amigos, do meu tio e da minha irmã,
mas acima de tudo o meu! O orgulho que eu tinha, que eu tenho por mim própria!
Porque, afinal de contas, uma das missões da minha vida está cumprida!
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